Nos Queda La Palabra

Octubre 19, 2009

Em algum lugar…

A ausente

Amiga, infinitamente amiga
Em algum lugar teu coração bate por mim
Em algum lugar teus olhos se fecham à idéia dos meus.
Em algum lugar tuas mãos se crispam, teus seios
Se enchem de leite, tu desfaleces e caminhas
Como que cega ao meu encontro…
Amiga, última doçura
A tranqüilidade suavizou a minha pele
E os meus cabelos. Só meu ventre
Te espera, cheio de raízes e de sombras.
Vem, amiga
Minha nudez é absoluta
Meus olhos são espelhos para o teu desejo
E meu peito é tábua de suplícios
Vem. Meus músculos estão doces para os teus dentes
E áspera é minha barba. Vem mergulhar em mim
Como no mar, vem nadar em mim como no mar
Vem te afogar em mim, amiga minha
Em mim como no mar…

in Antologia Poética
in Poesia completa e prosa: “Nossa Senhora de Los Angeles”

 

Fuente  l Vinicius de Moraes

 

fromthecold

Samba da Bênção

Composição: Vinicius de Moraes / Baden Powell

 

Cantado

É melhor ser alegre que ser triste
Alegria é a melhor coisa que existe
É assim como a luz no coração

Mas pra fazer um samba com beleza
É preciso um bocado de tristeza
É preciso um bocado de tristeza
Senão, não se faz um samba não

Falado

Senão é como amar uma mulher só linda
E daí? Uma mulher tem que ter
Qualquer coisa além de beleza
Qualquer coisa de triste
Qualquer coisa que chora
Qualquer coisa que sente saudade
Um molejo de amor machucado
Uma beleza que vem da tristeza
De se saber mulher
Feita apenas para amar
Para sofrer pelo seu amor
E pra ser só perdão

Cantado

Fazer samba não é contar piada
E quem faz samba assim não é de nada
O bom samba é uma forma de oração

Porque o samba é a tristeza que balança
E a tristeza tem sempre uma esperança
A tristeza tem sempre uma esperança
De um dia não ser mais triste não

Falado

Feito essa gente que anda por aí
Brincando com a vida
Cuidado, companheiro!
A vida é pra valer
E não se engane não, tem uma só
Duas mesmo que é bom
Ninguém vai me dizer que tem
Sem provar muito bem provado
Com certidão passada em cartório do céu
E assinado embaixo: Deus
E com firma reconhecida!
A vida não é brincadeira, amigo
A vida é arte do encontro
Embora haja tanto desencontro pela vida
Há sempre uma mulher à sua espera
Com os olhos cheios de carinho
E as mãos cheias de perdão
Ponha um pouco de amor na sua vida
Como no seu samba

Cantado

Ponha um pouco de amor numa cadência
E vai ver que ninguém no mundo vence
A beleza que tem um samba, não

Porque o samba nasceu lá na Bahia
E se hoje ele é branco na poesia
Se hoje ele é branco na poesia
Ele é negro demais no coração

Falado

Eu, por exemplo, o capitão do mato
Vinicius de Moraes
Poeta e diplomata
O branco mais preto do Brasil
Na linha direta de Xangô, saravá!
A bênção, Senhora
A maior ialorixá da Bahia
Terra de Caymmi e João Gilberto
A bênção, Pixinguinha
Tu que choraste na flauta
Todas as minhas mágoas de amor
A bênção, Sinhô, a benção, Cartola
A bênção, Ismael Silva
Sua bênção, Heitor dos Prazeres
A bênção, Nelson Cavaquinho
A bênção, Geraldo Pereira
A bênção, meu bom Cyro Monteiro
Você, sobrinho de Nonô
A bênção, Noel, sua bênção, Ary
A bênção, todos os grandes
Sambistas do Brasil
Branco, preto, mulato
Lindo como a pele macia de Oxum
A bênção, maestro Antonio Carlos Jobim
Parceiro e amigo querido
Que já viajaste tantas canções comigo
E ainda há tantas por viajar
A bênção, Carlinhos Lyra
Parceiro cem por cento
Você que une a ação ao sentimento
E ao pensamento
A bênção, a bênção, Baden Powell
Amigo novo, parceiro novo
Que fizeste este samba comigo
A bênção, amigo
A bênção, maestro Moacir Santos
Não és um só, és tantos como
O meu Brasil de todos os santos
Inclusive meu São Sebastião
Saravá! A bênção, que eu vou partir
Eu vou ter que dizer adeus

Cantado

Ponha um pouco de amor numa cadência
E vai ver que ninguém no mundo vence
A beleza que tem um samba, não

Porque o samba nasceu lá na Bahia
E se hoje ele é branco na poesia
Se hoje ele é branco na poesia
Ele é negro demais no coração

  

 

 ”Como en el mar, a nadar en mí como en el mar
Ven, ahógate en mí, amiga mía
En mí como en el mar…”

 

Saravá! A bênção, Vinicius…

 

Agosto 7, 2009

O Pato

 

O Pato

João Gilberto . Caetano Veloso

Composição: Vinicius de Moraes / Toquinho / Paulo Soledade

 

O Pato
Vinha cantando alegremente
Quém! Quém!
Quando um Marreco
Sorridente pediu
Prá entrar também no samba
No samba, no samba…

O Ganso, gostou da dupla
E fez também
Quém! Quém! Quém!
Olhou pro Cisne
E disse assim:
“Vem! Vem!”
Que o quarteto ficará bem
Muito bom, muito bem…

Na beira da lagoa
Foram ensaiar
Para começar
O tico-tico no fubá…

A voz do Pato
Era mesmo um desacato
Jogo de cena com o Ganso
Era mato
Mas eu gostei do final
Quando caíram n’água
E ensaiando o vocal…

Quém! Quém! Quém! Quém!
Quém! Quém! Quém! Quém!
Quém! Quém! Quém! Quém!
Quém! Quém! Quém! Quém!…

 

É proibido proibir…

 

 

Julio 18, 2009

Divirtam-se!

 

Água de Beber 

Show antológico gravado em 18 de outubro de 1978 em Milão, na Itália, com a dupla Jobim e Vinícius, acompanhada pelo violão de Toquinho e pela voz de Miúcha (que para os que não sabem, é irmã do Chico Buarque).
Passei todos os clipes direto do DVD e resolvi dividir com o pessoal. Inclusive deixei as legendas para o pessoal acompanhar as falas em italiano, e pra gringaiada tentar cantar junto =]
Quaisquer cortes repentinos entre uma música e outra não é culpa minha, é a divisão de capítulos do próprio dvd. Divirtam-se!

 

Amazing show recorded on october 18 in 1978 in Milan, Italy, with the duo Antônio Carlos Jobim and Vinícius de Moraes, followed by Toquinho’s guitar and Miúchas’s voice (wich for those who don’t know, is Chico Buarque’s sister).
I ripped all the clips directly from the dvd to share with people. I left the subtitles in Portuguese to people in Brazil understand what is said in italian, and people from foreign countries try to sing along =]
Any sudden cuts between one music and another is not my fault, is the chapters division from the dvd. Enjoy!

Aqui vai o link de todas as músicas ripadas direto do dvd:
Here’s the link for all ripped clips directly from dvd:

01 – Samba de Orly
http://www.youtube.com/watch?v=t5MM6Q…

02 – Tributo a Caymmi
http://www.youtube.com/watch?v=Gm_9Zw…

03 – Tarde em Itapoã
http://www.youtube.com/watch?v=yyQSbh…

04 – Desafinado
http://www.youtube.com/watch?v=95nmLm…

05 – Wave (instrumental)
http://www.youtube.com/watch?v=bqt7LR…

06 – Samba de uma Nota Só
http://www.youtube.com/watch?v=0vSgcN…

07 – Águas de Março (Waters of March)
http://www.youtube.com/watch?v=bfZHAt…

08 – Samba de Avião
http://www.youtube.com/watch?v=u-sbPp…

09 – O Que Será (À Flor da Pele)
http://www.youtube.com/watch?v=gZ278S…

10 – Samba para Vinícius
http://www.youtube.com/watch?v=w_jYz2…

11 – Vai Levando
http://www.youtube.com/watch?v=M0bPRX…

12 – A Felicidade
http://www.youtube.com/watch?v=MCPjp4…

13 – Água de Beber
http://www.youtube.com/watch?v=6VCNIW…

14 – Pout-pourri: Garota de Ipanema / Sei Lá (Girl from Ipanema)
http://www.youtube.com/watch?v=0FEj8H…

15 – Pout-pourri: Berimbau / Chega de Saudade / Canto Ossanha
http://www.youtube.com/watch?v=jIRkCw…

Para os amantes do violão, nesse site podem ser encontradas muitas partituras e tabs de Bossa Nova:
For those who love to play guitar, in this site you can find a lot of Bossa Nova tabs:

http://www.brazil-on-guitar.de/tabs.html

 

+

 

Melhor se nós cantássemos os três!

 

Comparte , cortés, vtnkoxa.

 

“Difficilius esse tristia sustinere quam a delectabilibus abstinere”, quem secutus Seneca ad Lucilium scribens “maius est” inquit “difficilia perstringere quam leta moderari”.

 Liber:De remediis utriusque fortunae. Francesco Petrarca.

Vía:

Les remèdes aux deux fortunes
 Escrito por Francesco Petrarca, Christophe Carraud, Giuseppe Tognon

 SONETO CXXXII

Francesco Petrarca (1304-1374)

 

Si no es amor, ¿qué es esto que yo siento?
Mas si es amor, por Dios, ¿qué cosa es y cuál?
Si es buena, ¿por qué es áspera y mortal?
Si mala, ¿por qué es dulce su tormento?
Si ardo por gusto, ¿por qué me lamento?
Si a mi pesar, ¿qué vale un llanto tal?
Oh! viva muerte, oh delectuoso mal,
¿por qué puedes en mi, si no consiento?
Y si consiento, error grave es quejarme.
Entre contrarios vientos va mi nave
- que en altamar me encuentro sin gobierno -
tan leve de saber, de error tan grave,
que no sé lo que quiero aconsejarme
y, si tiemblo en verano, ardo en invierno

 

Julio 3, 2009

…como una lengua antigua que olvidé entre los escombros

 

Jorge Enrique Adoum

Jorge Enrique Adoum

  

 

Despedida y no

 Como un muerto, amor, yo me incorporo,

echo puñados de olvido y grava, tablas

que mordí, piedras, lo que queda de mí

y de las flores que un día me pusieron,

y todo lo que echaron sobre ti para enterrarme:

las embriagueces de la equivocación, toda

la complicidad por amor, todo el amor

que confundí con el silencio, los clavos

que no me dejaban ir hasta tu frente.

Le devuelvo a tu ayer la herencia injusta

que me dejó en los ojos, mi desesperación

hecha de tierra, el llanto que sacaba

su alcohol a las primeras cuerdas del pasillo,

mi angustia que presentía tu preñez, mis raíces

atadas a tu verdad enorme, tu alarido

en la espalda. Ahí quedan mi camastro

con sus sábanas de soledad y de melancolía,

mi empleo, mi patrón, mi desempleo,

mis deudas de aguardiente y aspirina, mis zapatos

llenos de no hay vacantes y costuras,

los almuerzos en que me ponían un libro

abierto sobre el plato, mi espera de la gran

ocasión, de la gran cosa, del gran día.

Aquí comienzo, salgo del rencor como de madre,

me pongo todos los huesos. Yo me voy

de este hotel de pesadumbre a hoy día,

yo me voy a aprender la esperanza como una

lengua antigua que olvidé entre los escombros

de tanto ser caído en el fracaso, pero tengo

con quién hablar, con los que han muerto

por carta y no lo creo y llegan a enseñarme

su boleto, tu recibo hecho pedazos

por la crueldad del día y las ráfagas

del año. Henos aquí, botín de tus edades,

hasta la altura a que has crecido, hasta

la línea del posterior rescate, prisionera

de ti. Almas amontonadas junto al muro,

caras contra la pared para verte por dentro

ese rostro de hermosa que estaba en las medallas,

y agarradas las manos a lápices, fusiles,

herramientas, cucharas:  la batalla

es contigo y el regreso es contigo,

porque has de ser feliz aunque no quieras.

 

Yo me fui con tu nombre por la tierra. Jorge Enrique Adoum.

 

Fuente l edufuturo

 

Octubre 21, 2008

Un barrio llamado Tristeza

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